Baseado no trabalho de Friedrich Froebel, criador do Jardim de Infância, o conceito de “Alfabetização Visual” parte do princípio de que as crianças não devem se distanciar totalmente do universo pré-linguístico ao serem introduzidas ao sistema fono-silábico da alfabetização escrita. Para Froebel, as primeiras formas de aprendizagem devem estar imersas no ambiente sensorial e expressivo da criança, permitindo que ela faça uma transição natural entre o concreto e o abstrato.

Ao continuar a desenhar, por exemplo, a criança mantém ativo o hemisfério cerebral direito, o que favorece o desenvolvimento de habilidades cognitivas importantes, como a percepção espacial, a criatividade e a capacidade de abstração. A prática do desenho e outras formas de expressão visual fornecem uma base sólida para o conhecimento formal, uma vez que a criança está, de maneira intuitiva, aprendendo uma “gramática da imagem”.

Esse processo não apenas facilita o entendimento do mundo simbólico e visual, mas também empodera a criança no domínio de um universo imagético e midiático cada vez mais presente na sociedade contemporânea. Ao cultivar uma alfabetização visual, a criança desenvolve a capacidade de ler e interpretar as imagens que compõem seu cotidiano, desde as ilustrações em livros até as representações visuais nos meios de comunicação, como a televisão e a internet.

Assim, a alfabetização visual vai além do simples aprendizado de representações gráficas; ela envolve o cultivo da percepção crítica e reflexiva sobre as imagens, tornando-se uma ferramenta essencial para o desenvolvimento integral da criança, no sentido de prepará-la para uma leitura mais profunda e consciente do mundo ao seu redor. Nesse contexto, a interação com imagens e símbolos torna-se tão relevante quanto a aprendizagem da escrita, pois ambas se complementam na construção do pensamento e da comunicação.